Carsale, de São Paulo (SP) - Nesta segunda-feira (14), durante o anúncio do balanço das vendas de importados, o presidente da Associação Brasileira das Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), Flávio Padovan, afirmou que reivindica junto ao governo um sistema de cotas semelhante ao do acordo bilateral entre Brasil e México para as empresas sem fábricas no país. Segundo o executivo, a entidade mantém um diálogo direto com o Ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, com reuniões semanais.
“A nossa ideia é conseguir algo semelhante ao acordo que há entre Brasil e México. Precisamos encontrar uma forma de diminuir os efeitos da cobrança dos 30 pontos percentuais do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. Ainda não há nada definido e por estratégia não posso adiantar algo muito específico. Mas, essa é uma das formas de tentar reverter o difícil cenário que estamos enfrentando. Devemos ter novidades em breve”, disse. O cenário que Padovan se refere é a forte queda nas vendas que o setor vem sofrendo. De acordo com o relatório da Abeiva, as importadoras registraram queda de 12,8% em abril, na comparação com março.
Apesar do otimismo para conseguir um sistema de cotas, a associação enfrentará uma conjuntura totalmente contrária a essa proposta. Em março, quando o novo acordo bilateral entre Brasil e México foi assinado, o que se assistiu foi uma grande batalha entre os dois países. Depois de inúmeras reuniões, o governo brasileiro lutava para não abrir mão das exigências para baixar a disparidade da balança comercial entre as duas nações. Tanto é que o assunto quase ficou pelo caminho.
Vale lembrar também que foi o próprio governo que estipulou um drástico aumento do IPI para os veículos importados, visando barrar o avanço das marcas coreanas e chinesas e proteger a chamada indústria nacional. Além disso, também ocorreu a implantação do novo regime automotivo, com o nome oficial Inovar Auto, que determinou benefícios (como a isenção do super IPI) para quem investir em tecnologia e pesquisa.
E, mesmo com esse cenário adverso, o chefão das importadoras ainda se mostra confiante. “O governo sabe que somos importantes para o setor e para o país. Afinal, geramos empregos e renda para os brasileiros, apesar de nossos negócios serem voltados para a importação. Portanto, acredito que fecharemos sim um acordo e que será benéfico para todo mundo. Empresas e consumidores”, disse Padovan.
Inovar Auto não foi suficiente
Com esse novo capítulo na discussão entre as importadoras e o governo federal, empresas vinculadas à Abeiva mostram que o anúncio do novo regime automotivo não foi suficiente para estabilizar o setor e dar sequência em novos projetos.
Antes da divulgação do novo regime automotivo, diversas marcas divulgaram planos para a construção de fábricas no país, entre elas a BMW, Mazda e Land Rover. E, na época, o principal entrave, segundo os próprios executivos, era a demora para uma definição quanto aos planos do poder público para o setor automotivo nacional.
Porém, mesmo ciente das novas regras, os planos destas marcas não mudaram. De acordo com Flávio Padovan (que também é diretor-presidente da Jaguar Land Rover para a América Latina e Caribe), o projeto da unidade fabril nacional da montadora britânica ainda não saiu do papel. “Ainda não há certeza quanto ao futuro do setor. O que vivemos hoje são incertezas quanto aos resultados. Tivemos a divulgação do novo acordo automotivo, porém ele não foi suficiente para estabilizar o mercado como um todo. Ainda teremos que esperar por novas medidas. Mais benéficas, como a implantação das cotas”, disse o presidente da Abeiva.
A BMW também segue pelo mesmo caminho. Apesar de o presidente da filial brasileira, Henning Dornbusch, afirmar para a reportagem que a grande questão impeditiva era a demora para o anúncio das novas regras, o executivo-chefe da montadora alemã, Norbert Reithofer, afirmou que as determinações ainda não são favoráveis. Em entrevista para jornais alemães no começo deste mês, o empresário afirmou que o projeto estava congelado de vez.
Já a Mazda também segue o mesmo caminho. Uma fonte ligada à empresa japonesa afirmou que, além da construção da fábrica no país, o início das atividades da marca por aqui também foram adiadas. O projeto da montadora era, em um primeiro momento, vender carros no Brasil importados do México e a partir de 2014 atender os consumidores por meio de uma produção local
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